Poeta Raymundo Cortizo Perez, (T.H.D.)
PREFÁCIO À AUSÊNCIA
Paris não é apenas uma coordenada geográfica; é o laboratório onde a memória destila o isolamento. Sob as luzes vulgares do Moulin Rouge e o eco dos boulevards, a erudição se curva diante da carne e o intelecto naufraga na falta. O que se segue não é um diário de viagens, mas a autópsia de um sentimento gravado no asfalto francês, onde o mestre se faz aprendiz da própria dor.
O QUE EU FAZIA EM PARIS?
Vivia pensando em te escrever poemas — e não conseguia.
Te via em pensamentos. Me masturbava.
Bebia. Me perdia com as putas no Moulin Rouge.
Putas decadentes (embora lindas).
Boêmios igualmente decadentes (embora elegantes).
Te via em pensamentos. Me masturbava.
Bebia. Me perdia com as putas no Moulin Rouge.
Putas decadentes (embora lindas).
Boêmios igualmente decadentes (embora elegantes).
Enviei cartões postais transbordando falsa felicidade...
Paris é só uma rose rouge pop.
Lá eu sangrava por ti, sem versos, sem nada!
Paris é só uma rose rouge pop.
Lá eu sangrava por ti, sem versos, sem nada!
Entendi: a saudade não mata, mas paralisa.
Poeta e poema? Moedas do mesmo verso.
O poeta morre de uma dor que aguarda.
Mas a dor é a própria espera. A dor nunca chega.¹
Poeta e poema? Moedas do mesmo verso.
O poeta morre de uma dor que aguarda.
Mas a dor é a própria espera. A dor nunca chega.¹
Jamais esquecerei Paris:
Era lá que eu sufocava na tua ausência,
Lá que eu me agarrava às tuas cinzas.
Era lá que eu sufocava na tua ausência,
Lá que eu me agarrava às tuas cinzas.
Nota Crítica do Autor:
¹ O paradoxo temporal estabelecido no verso “a tal dor, é a espera. A dor não chega” desarticula a cronologia linear tradicional para inaugurar uma dimensão ontológica do sofrimento. Aqui, a dor deixa de ser um evento futuro (o golpe do fim) e passa a ser o próprio estado de suspensão. O eu lírico experimenta o tempo não como sucessão de instantes, mas como dilatação do vazio; o sofrimento não reside no objeto temido, mas na imobilidade da própria expectativa. Em termos filosóficos, essa dinâmica dialoga de perto com o conceito de Spleen de Baudelaire e a angústia existencial heideggeriana, onde o tempo não passa — ele pesa. O não-acontecimento torna-se, portanto, a mais violenta das realidade.
¹ O paradoxo temporal estabelecido no verso “a tal dor, é a espera. A dor não chega” desarticula a cronologia linear tradicional para inaugurar uma dimensão ontológica do sofrimento. Aqui, a dor deixa de ser um evento futuro (o golpe do fim) e passa a ser o próprio estado de suspensão. O eu lírico experimenta o tempo não como sucessão de instantes, mas como dilatação do vazio; o sofrimento não reside no objeto temido, mas na imobilidade da própria expectativa. Em termos filosóficos, essa dinâmica dialoga de perto com o conceito de Spleen de Baudelaire e a angústia existencial heideggeriana, onde o tempo não passa — ele pesa. O não-acontecimento torna-se, portanto, a mais violenta das realidade.
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