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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

AMOR NÃO CORRESPONDIDO Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)

AMOR NÃO CORRESPONDIDO
Prof. Raymundo Cortizo Perez, (Th.D.)
“The cold—the changed—the dead—too many see
The land of memory a desert land.”

— Lord Byron, Childe Harold’s Pilgrimage
Introdução
O poema a seguir evoca a essência do Romantismo Ultra-Romântico, fortemente inspirado pela estética e pelo temperamento de Lord Byron. Na tradição do "herói byroniano", o amor não correspondido deixa de ser uma mera lamentação passiva para se tornar um tormento grandioso, quase sagrado.
Aqui, a dor da rejeição é vivida com uma intensidade teatral e melancólica: o eu lírico isola-se em seu próprio sofrimento, transformando a indiferença da amada em um exílio voluntário. Há uma dualidade constante entre o orgulho ferido e a submissão total à beleza que o escraviza. As metáforas de ruínas, escuridão e inverno moldam o cenário de uma alma que prefere arder em uma febre sombria a aceitar a mediocridade de um sentimento comum.
À sombra do teu ser eu permaneci silente,
como um templo abandonado por deuses antigos,
onde a chama do altar se consome no próprio vazio.
Guardei meu amor nas profundezas de uma noite sem fim,
um segredo pesado, como o mármore sobre os mortos,
enquanto os teus olhos buscavam outras auroras.
Eu vi o teu sorriso iluminar mundos que não eram meus,
e ouvi a tua voz, melodia divina e distante,
chamar por nomes que faziam sangrar o meu orgulho.
Não há fúria em minha dor, apenas o inverno da alma;
um desterro voluntário na terra da tua indiferença,
onde sou o único habitante de uma ruína que outrora sonhou.
Quisera eu odiar a tua graça, maldizer a tua luz,
encontrar o bálsamo do desprezo para esta febre escura.
Mas até na tua ausência há uma beleza que me escraviza,
um magnetismo sombrio que me arrasta de volta ao abismo.
Tu segues o teu caminho, livre, intocada e soberana,
enquanto eu trago no peito o eco eterno de um "nunca".


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